EXPOSIÇÃO ANTROPOLÓGICA DE 1882 |ATIVIDADE CIÊNCIA E RACISMO NO MN

Em 1882, o Museu Nacional, dirigido à época por Ladislau Netto e sediado no Campo do Santana, no centro do  Rio de Janeiro, capital do Império, realizou o mais importante evento científico do Brasil oitocentista: A Primeira Exposição Antropológica Brasileira.

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Para que a exposição pudesse ser realizada, foram trazido de várias províncias do Brasil objetos de origem indígena, como lanças, cocares, instrumentos musicais, itens utilizados em rituais, dentre eles urnas funerárias. Também compuseram a exposição,objetos arqueológicos, restos humanos fossilizados, múmias naturais e sambaquis, itens presentes até hoje nas coleções do Museu.  Além dos já referidos, foram trazidos,como atração especial, um pequeno grupo de índios Botocudos, provenientes do Espírito Santo e outros três índios da tribo Xerente, de Minas Gerais.

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A Exposição causou um verdadeiro alvoroço na Capital do Império. Todos correram para ver os tais índios, que eram considerados, pelos naturalistas da época, exemplares vivos do homem primitivo.

De acordo com o Guia da Exposição, as coleções e artefatos indígenas ficaram expostos em oito salões, especialmente decorados para a ocasião. Tais salões receberam os nomes de missionários e naturalistas do passado, como Pero Vaz de Caminha, Alexandre Rodrigues Ferreira, José de Anchieta, entre outros.

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O evento contou com a participação do Imperador D. Pedro II, que compareceu à exposição com uma de suas filhas, a Princesa Isabel. Também estiveram presentes os principais jornalistas do Império e fotógrafos de renome, como Marc Ferrez e o temido cartunista Angelo Agostini. A Exposição foi inaugurada em 29 de julho de 1882 e se estendeu por três meses. Foi considerada um sucesso de público, pois recebeu mais de mil visitantes.

Hoje, os visitantes que circulam pelos corredores e salões do Museu Nacional, sediado na Quinta da Boa Vista desde 1892, percebem poucas referências em relação a exposição considerada um marco histórico para as ciências humanas e naturais do século XIX no país. Alguns objetos presentes no acervo de etnologia, como as esculturas dos índios botocudos, assim como um quadro que retrata um índio logo na entrada do museu nos dão algumas pistas do que foi a Exposição de 1882.

Ainda há muito silêncio, nas exposições do Museu, em relação a esse acontecimento do passado e sobre o olhar da ciência do século XIX para os povos indígenas e para o povo brasileiro de um modo geral.

Olhar o passado nos permite entender melhor o presente. Quando nos debruçamos sobre o passado a fim de compreender as narrativas oficiais e o olhar de uma ciência nascente num país que estava se construindo enquanto nação, podemos compreender melhor o nosso presente e alçar perspectivas para o futuro.

Neste ano de 2017, o IBRAM lançou como tema da 15ª Semana Nacional de Museus, o indizível em museus, cujo título foi Museus e Histórias Controversas. Nesse contexto, a Seção de Assistência ao Ensino do Museu Nacional,promoveu uma pesquisa histórica a fim de compreender a trajetória do MN enquanto berço da ciência no Brasil. Pensar o não dito em um museu de história natural nos remete a um passado que reverbera ainda hoje no discurso do senso comum, quando nos deparamos com ideias racistas, com discussões que ainda se fazem presentes na mídia, nos discursos políticos e conflitos étnicos e sociais mundo afora. Por outro lado, quando olhamos para os ideais dos naturalistas do século XIX, temos de levar em conta o contexto em que essas teorias emergiram, a forma que a sociedade se organizava naquele momento e como esses sujeitos estavam imersos em sua época. Mas, ao mesmo tempo, é possível identificar que havia um desejo profundo de construir uma identidade nacional. Nos proporcionando um olhar para dentro do Brasil, mesmo que sob uma perspectiva de progresso baseada em modelos externos.

Nos dias 20 e 21 de maio, foi realizada a atividade “Visitas Conversadas – Especial, com o título “Dizer o Indizível no Museu Nacional”. Foi um momento de reflexão sobre o passado para que, a partir disso, novas formas de pensar o presente fossem estimuladas. Nas Salas Históricas, Etnologia Indígena, Arqueologia Brasileira, Evolução Humana e Kumbukumbu, visitantes de todas as idades trocaram experiências e conhecimentos com os mediadores, fazendo de nossa atividade um momento extremante enriquecedor e divertido. A atividade teve uma importante repercussão na mídia. A servidora Patrícia Desterro conversou com a TV Brasil e a Rádio Nacional e contou um pouco sobre a proposta da mediação que foi realizada.

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