Exposição Acessível “O Mar Brasileiro na Ponta dos Dedos”

O principal canal de comunicação dos Museus com seus públicos é a exposição. Considerando que as pessoas com deficiência frequentemente não estão incluídas nos projetos expositivos e comunicacionais destes, a SAE elaborou no MN o Espaço Ciência Acessível, buscando democratizar o acesso ao conhecimento científico. Um dos objetivos iniciais era favorecer o acesso das pessoas com deficiência visual ao patrimônio natural brasileiro.

exposição acessível!

O Espaço Ciência Acessível foi desenvolvido com o apoio da FAPERJ, por meio da aprovação do Projeto “Revitalizando o Sonho de Roquette Pinto: a Seção de Assistência ao Ensino do Museu Nacional como Pólo Difusor e Popularizador das Ciências Naturais” (Edital “Apoio à Difusão e Popularização da Ciência e Tecnologia no Estado do Rio de Janeiro –2012”). O mesmo teve como eixo de desenvolvimento a Política Nacional de Inclusão da Pessoa com Deficiência (BRASIL, 1999). Para tal, o projeto buscou projetar o espaço com base no Desenho Universal (http://www.ncsu.edu/ncsu/design/cud/), conceito elaborado pelo arquiteto Ron Mace, e outros profissionais de áreas de projeto, em 1985 nos Estados Unidos.

O desenho universal pode ser chamado ‘desenho para todos’ […]. Hoje, colocado dentro do movimento da inclusão social, o desenho universal poderia também ser chamado ‘desenho inclusivo’, ou seja, projeto que inclui todas as pessoas. Os produtos e ambientes feitos com desenho universal ou inclusivo não parecem ser especialmente destinados a pessoas com deficiência. Eles podem ser utilizados por qualquer pessoa, isto é, pessoa com ou sem deficiência. É até possível que pessoas sem deficiência nem percebam, nesses produtos ou ambientes, certas especificidades que atendem às necessidades de pessoas com deficiência”. (SASSAKI, 2010, p. 151)

Esse conceito proporciona um aumento na capacidade funcional das pessoas e quando, além disso, eliminam-se as barreiras, os ambientes tornam-se acessíveis. Sendo assim, no ambiente museal, pode-se levar em conta o atendimento a todos os visitantes, com habilidades e capacidades diversas.

Em julho de 2013, a exposição piloto O Mar Brasileiro na Ponta dos Dedos inaugurou o Espaço Ciência Acessível, despertando no público sentidos e sentimentos à medida que interage diretamente com exemplares de animais marinhos brasileiros dispostos em ordem evolutiva. Ao tocar nas peças, que integram o acervo da Coleção Didática e Científica da SAE, os visitantes têm acesso às diversas formas e texturas de diferentes grupos zoológicos, possibilitando conhecer mais sobre a biologia comparada de esponjas, corais, moluscos, equinodermos, tartarugas, pinguins e golfinhos. Etiquetas em Braille e em tinta, com letras ampliadas, foram desenvolvidas em parceria com o Instituto Benjamin Constant, uma referência nacional em atendimento de pessoas com deficiência visual. Um sistema de áudio reproduz sons de aves marinhas, golfinhos e baleias na exposição.

Cada exemplar está disposto em uma caixa de madeira e ambientado sobre diferentes tipos de areias de diversas praias do Brasil, conectando o público também à diversidade dos ambientes marinhos do nosso litoral. A estrutura da exposição é de bambu e cordas, criando um cenário natural e leve inserido no contexto de sustentabilidade ambiental. O projeto expositivo possibilita que pessoas em cadeiras de rodas (crianças e adultos) visualizem e toquem as peças de forma segura e confortável.

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Menino em cadeira de rodas visita a exposição e toca na concha de um molusco.

 A interface com a exposição se dá também por intermédio da mediação humana. Os mediadores formados pela SAE para receber diferentes públicos são instruídos, ainda, em como se fazer audiodescrição das peças expostas às pessoas com deficiência visual, fornecendo maiores informações sobre forma, tamanho, cor, textura e ambiente natural das espécies. A mediação facilita também o entendimento do conteúdo por pessoas com deficiência intelectual e pessoas com baixa escolaridade. No ano de 2014 pôde-se contar com uma mediadora cega, Eduarda Emerick, que com muita desenvoltura apresentava a exposição a todos os públicos. Nestas mediações, a pessoa com deficiência desempenhou um papel de protagonista e constatou-se uma forte interação com o público, principalmente o escolar.

Visando a inclusão sociocultural de todas as pessoas com deficiência no ambiente museal, o Espaço está em constante atualização de conteúdo e linguagem. Neste sentido, voltado para a comunidade surda, foi desenvolvido um videoguia em LIBRAS que apresenta a exposição e pode ser acessado através de código QR em cada peça. A SAE disponibiliza aos visitantes um tablet para visualização deste conteúdo, que pode ser visto também por smartphones.

Outras intervenções a nível institucional estão sendo estudas e desenvolvidas para ampliar ainda mais a acessibilidade no Espaço Ciência Acessível, como a aplicação de piso tátil, aumento da sinalização e criação de rampas de acesso. Com este espaço expositivo – inédito na história da instituição – buscamos sensibilizar os demais setores do museu para a questão da acessibilidade, contribuindo para a implantação de uma política mais inclusiva e democrática no Museu Nacional-UFRJ.

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