Tem Criança no Museu! África

Convidadas a passear pelo berço da humanidade, no terceiro dia do evento que tem movimentado o MN, as crianças puderam conhecer um pouco mais sobre a importância do continente africano, tanto pela sua diversidade étnica e cultural, quanto por sua extensa fauna e flora. Ao chegarem, foi apresentado a elas um tapete de TNT decorado com os seis continentes do Globo. Houve um breve bate papo sobre a África e passaram na tela algumas cantigas infantis que tratavam da história do continente.

Quando todas as crianças já haviam chegado, caminhamos rumo à exposição Kumbukumbu do Museu Nacional que dialoga com a ideia de memória, patrimônio e como o passado abre caminhos e, no caso dos objetos ali expostos, marca profundamente a história dos países. A palavra kumbukumbu, de origem swahili, é usada para designar objetos, pessoas ou acontecimentos que nos fazem pensar sobre o passado.

Sentados em roda, lá eles puderam ouvir e aprender que a África não é uma, mas muitas e poucas coisas são capazes de unir tamanha diversidade. Apesar de cada povo se manifestar à sua maneira, o ritmo e as diferentes sonoridades, registrados também em nossa cultura afro-brasileira, estão presentes na maior parte dessas culturas. Com um instrumento confeccionado a partir de um galão de plástico, a mediadora Nayla se apresentou aos pequenos fazendo música com seu nome. O desafio, a partir daí, era que cada integrante se apresentasse formando o seu próprio ritmo: “Aaaarthur!”, cantou um; outros batucavam no chão de madeira do museu com a palma da mão ou só com as pontas dos dedos até produzir o seu próprio ritmo. Quando alguém se mostrava envergonhado para gritar ou cantar o seu próprio nome, a roda inteira ajudava e surgia ali do meio um novo som: “Shhhhhhheila”, “Be-a-triz” e mais umas outras duas dezenas de nomes.

Antes de descer e embarcar no ônibus rumo ao Horto Botânico do Museu Nacional, as crianças foram orientadas de que passariam por uma espécie de portal mágico. Quando lá chegaram, com os olhinhos fechados, pronunciaram “Ora Ie Ieu”, a palavra mágica que faria com que a “Rainha das Cachoeiras”, personagem criada por nós para simbolizar a figura de Oxum, transformasse o mesmo lugar que elas haviam visitado no dia anterior (“eu vim nessa ‘floresta’ ontem, tia”) na África. A partir daí, deu-se asas à imaginação e nas raízes de uma Figueira, construiu-se um castelo para essa rainha. As crianças estenderam um pedaço de TNT amarelo por sobre essas raízes e dali enxergaram um castelo onde muitos só conseguiam ver uma árvore.

Para falar um pouco sobre a diversa fauna africana, foi montada uma dinâmica chamada de “pega-pega-bicho”, bem parecida com a brincadeira do “bobinho”. Após aprenderem ou relembrarem sobre alguns animais da savana africana, o mediador Fernando assumiu o papel de leão da selva e tinha de caçar as crianças que assumiram o papel de zebras. Dessa forma, as crianças, digo, zebras, tinham de passar de um lado para o outro da floresta sem serem devoradas pelo leão. Com o tempo o jogo ia se complicando, o número de zebras diminuía e surgiam novos leões, hienas e onças.

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Antes de retornamos ao Museu, Fátima Denise Fernandes, pedagoga do Horto Botânico, explicou às crianças sobre a importância da árvore Baobá para muitas culturas africanas. A árvore, que chamou a atenção das crianças por seu tamanho, é considerada a “árvore da vida” e destaca-se pela sua capacidade de armazenamento de água dentro do tronco, já que cresce em zonas sazonalmente áridas. Em certas regiões de Moçambique, por exemplo, escavam o seu tronco para que ele possa servir como cisterna comunitária. No Brasil, temos poucas árvores dessa espécie e grande parte delas foi trazida por sacerdotes africanos. Uma das religiões de matriz africana mais difundida, o Candomblé, a considera como sagrada e que nunca deve ser cortada.

Depois do lanche, já no auditório do Museu, voltamos à ideia da musicalidade e pedimos às crianças que produzissem seus próprios instrumentos a partir de objetos recicláveis: rolos de papéis, garrafas de plástico de diferentes tamanhos, tampinhas. Divididos em pequenos grupos e com a ajuda de nossos mediadores, surgiram diferentes instrumentos que foram freneticamente batucados ou chacoalhados pelas mãozinhas e bracinhos desses pequenos e pequenas. Depois de decorarem com cola colorida e tinta guache cada instrumento, as crianças se reuniram para formar uma sinfonia de sons meio descompassados e atrapalhados misturados à risadas animadas e alegres. Alguns visitantes passaram pelo auditório sem entender do que se tratava todo aquele barulho, mas, na cabeça de quem passou por um portal mágico a algumas horas atrás, parecia a mais alegre música já ouvida.

Mais uma vez nos encantamos com esses lindos sorrisos alegres e vimos o quanto sempre aprendemos muito ao lado dessas crianças.

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