SAE na Semana Nacional de C&T: “Alimentando Consciências”

Conscientizar é provocar e incentivar novas formas de se enxergar o mundo e aquilo que fazemos nele, por mais cotidianas e simples que nossas ações possam parecer. Com essa ideia em mente, os educadores da SAE montaram e apresentaram, durante os dias 19 e 20 de outubro, a mostra “Alimentando consciências: animais e artefatos para ver, tocar e refletir sobre o passado, o presente e o futuro do que comemos” no campus de Manguinhos da FIOCRUZ — lugar que concentrou as principais atividades da SNCT a cidade do Rio de Janeiro.

Levamos parte de nossa coleção de empréstimo e abordamos a importância de cada ser vivo ali presente, não só no ecossistema como um todo, mas também na manutenção de uma alimentação saudável. Um dos assuntos que mais causou espanto ao público, por exemplo, foram os insetos. Não, eles não estavam lá por que serviam de alimento para outros animais, mas também por seu valor nutricional para os seres humanos. Você sabia que um inseto pode conter doze vezes mais proteínas do que um bife?

Apesar de soar interessante, a maioria dos visitantes não conseguia se imaginar comendo escorpião ou barata no espetinho, como acontece na China. Então aprofundamos um pouco mais: os insetos começaram a ser vistos pelos cientistas como uma opção alimentar para nós não apenas por sua importância nutricional, mas sobretudo pelo fato de que a pecuária tradicional (criação de gado solto em grandes áreas sem preocupação com a qualidade das pastagens ou com genética e saúde animal) se tornará inviável até 2050,ao passo que esse tipo de produção implica em desmatamento e um uso de água que não nos permitirá manter o bife com batata frita como a estrela do almoço de cada a dia para sempre.

O ecossistema está todo interligado: desde as aves (levamos uma arara azul e um tucano taxidermizados) que ajudam a espalhar as sementes de árvores frutíferas, até os mexilhões que ajudam a “filtrar” a água no interior do oceano permitindo a manutenção da vida de outros animais aquáticos. Com a nossa exposição, tentamos conscientizar os visitantes a repensar o que somos enquanto seres humanos, enquanto também habitantes de um mesmo ecossistema assim como todos os demais seres que integraram a exposição.

 Visitas Conversadas | Especial SNCT

Alimentar-se é muito mais do que meramente suprir uma necessidade fisiológica e não está apenas relacionado à manutenção de nossa sobrevivência. Como a proposta dessa Semana Nacional de Ciência e Tecnologia também era repensar o comportamento alimentar, no dia 23 de outubro, nossos mediadores voltaram o olhar sobre a parte histórico-antropológica de nossas exposições e como cada povo se apropriava da comida a fim de se apresentar uma versão especial da atividade dominical Visitas Conversadas. De forma didática e descontraída, procuramos construir um diálogo entre algumas exposições do MN e a importância de determinados alimentos para cada cultura.

Ao passar pela sala de Etnologia Indígena, mais especificamente voltada ao grupo Tikuna, os visitantes foram recebidos por nossa mediadora Marina Maida que explicou, sobretudo, a importância da mandioca para eles. Sobre a mesa, tínhamos diferentes tipos de farinha feitos dessa raiz e outros alimentos que se fazem presente ainda na nossa alimentação cotidiana como, por exemplo, a tapioca. Além de relacionar o hábito alimentar às informações presentes na sala, Marina também demonstrou como se usa o Tipiti, ferramenta utilizada para a separação do líquido e da parte comestível da mandioca.

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Mais à frente, na exposição sobre Evolução Humana, Raissa e Amanda apresentaram duas réplicas de crânios, proporcionalmente idênticas às originais do Homo Sapiens e do Homo Habilis, para que o público pudesse explorá-los para além da visão: pelo tato. Quando questionadas sobre qual dos dois mais se assemelhava a nossa estrutura, as crianças rapidamente apontavam para o crânio com maior espaço para o cérebro. Em seguida, as mediadoras explicaram como essa diferença de tamanho estava relacionada aos hábitos alimentares de cada um: devido à descoberta do fogo, a nossa espécie pode ter uma dieta mais rica em proteínas, o que permitiu um melhor desenvolvimento da massa encefálica. As meninas também apresentaram um jogo em que os visitantes tinham de palpitar, dentre as opções espalhadas pela mesa, qual comida faria com que o ser humano suprisse, mais rapidamente ou de modo mais eficaz, a necessidade de se ingerir, em média, 2000 cal diariamente.

Ao seguir adiante, o visitante chegava à sala do Egito Antigo e era recebido por uma espécie de restaurante egípcio improvisado por nossos mediadores Renato, Ariadiny e Fernando. Para se sentir como o próprio faraó ou até mesmo como um cidadão com um certo poder aquisitivo da época, o visitante podia se caracterizar com acessórios que fizemos questão de disponibilizar. Como esperado, as crianças adoraram, mas os pais não ficaram muito atrás não. Quem nunca teve vontade de se imergir pelo menos um pouquinho no mundo dos povos construtores das grandes pirâmides? Além de um cardápio com os pratos mais típicos da época (devido à importância dos rios, principalmente o Nilo, a alimentação no Egito Antigo era repleta de diferentes tipos de peixes), foi apresentada uma receita do “pão líquido”, a cerveja artesanal.

Chegando na sala Culturas do Mediterrâneo, Joyce e Tiago explicaram como o fato de muitas cidades romanas serem grandes produtoras de azeite e vinho refletiu em seus hábitos alimentares. Com forte influência religiosa, o vinho ainda recebia maior importância por conta do deus Baco, o deus da ebriedade, dos excessos e da natureza. Devido também a sua localização geográfica, a alimentação de sua população baseava-se, principalmente, no consumo de peixes e demais pratos que pudessem ser feitos a partir deles como, por exemplo, o Garum, condimento muito utilizado na época cujos ingredientes consistiam, sobretudo, em sangue, vísceras e outras partes selecionadas de atum ou cavala misturadas com peixes pequenos.

Por último, havia a sala dos Ameríndios, para fechar “com chave de ouro” (literalmente, pois o ouro tinha muita importância esses povos) essa edição especial do Visitas Conversadas. Os responsáveis pela mesa foram Rafael e Gabrielle que falaram sobre a importância do milho para essas culturas. Muito mais do que a base alimentar delas, o milho também está fortemente relacionado à religiosidade desses povos, sendo representado por uma divindade, e também à origem da vida. Nossos mediadores aproveitaram ainda para falar sobre como o processo de colonização se caracterizou não como um portal de entrada para o universo civilizado-europeu, mas como um genocídio dessas populações que se reflete até hoje na invisibilização de suas culturas.

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