SAE INICIA CICLO DE OFICINAS COM ABRIGO PLÍNIO MARCOS

Peças de Museu tem suas histórias, a vida de cada pessoa também. Umas mais longas, outras mais complexas, mas todas com igual valor. A diferença é que as peças do Museu estão constantemente expostas para a sociedade, já a vida das pessoas, nem sempre.

Se foram os seres humanos – atores e construtores da cultura e vida social – que produziram as peças que estão no museu, não faz sentido considerar que o seu acervo seja mais relevante do que quem as fez, pois, mais que uma peça que conta parte da nossa história em comum, a vida de cada ser humano é o próprio universo contado e construído por ele mesmo.

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Na segunda-feira (14) a Seção de Assistência ao Ensino do Museu Nacional iniciou projeto em que oferece diferentes oficinas em parceria com o Centro de Acolhimento Plínio Marcos. A ação que é um desdobramento de uma série de visitas programadas com mediação exclusiva aos moradores do abrigo, visa fortalecer e criar pontes entre a população e o museu, facilitando o acesso e a democratização do conhecimento.

A primeira oficina oferecida foi de artesanato em papel machê e contou com sete pessoas que produziram ao todo 13 peças. Os participantes se expressaram através da arte confeccionando variados estilos de esculturas, porém o que ficou foi mais do que obras de arte, foram laços e narrativas que ali construídas jamais perecerão sob o efeito corrosivo do tempo.

Tanto para o abrigo, que fica ao lado do Parque da Quinta da Boa Vista em São Cristóvão, quanto para o Museu que fica no parque, essa experiência tem servido de aprendizado em todos os sentidos. As conexões criadas a partir da primeira mediação programada que levou 15 moradores do abrigo ao Museu, ainda no início do projeto, oportunizaram aos dois lados uma rica troca de experiências e um intercâmbio de vivências que colabora de forma relevante no processo de construção mútua do saber.

“Tem sido incrível trabalhar com a galera do Abrigo. Começamos o trabalho querendo amplificar o campo de atuação deles, visando colocá-los em contato com novas esferas educacionais e na verdade nós é que fomos acometidos pelas surpresas que cada um trazia em sua enorme bagagem cultural”, comentou a estagiária da SAE, Jade de Almeida estudante de Ciências Sociais e bolsista da UFRJ, que finalizou, “o Museu Nacional está ganhando sua narrativa social mais importante e com mais participação de quem realmente pode contar a história.”

O funcionário do abrigo, André Augusto é assistente social e também comentou a atividade: “A iniciativa é bacana, pois muitos moradores não tem opção de lazer e essa é uma oportunidade de socializar e demonstrar o sentimento através da arte” – e completou – “é um trabalho necessário e importante que colabora na reinserção, tirando-os de um ambiente fechado e de pouca alternativa e oferecendo o conhecimento através do lúdico.”

Até outubro outras oficinas estão previstas como taxidermia, terrário, câmara escura, teatro e lambe-lambe. A ideia é que as técnicas aprendidas nas oficinas sejam utilizadas no empoderamento de seus conhecimentos para que a partir de memórias pessoais, novas narrativas sejam criadas. Muita coisa boa vai surgir, já surgiu! Na verdade, sempre esteve lá. Sempre estivemos aqui. Poetas, músicos, escritores, viajantes do tempo, artistas da vida, visíveis e invisíveis, reconhecidos ou não, sempre estiveram nessas terras, ora Pindorama, ora Vera Cruz, hoje Brasil.

“A cada gesto, tanto o agir como o falar, são como luzes que fazem resplandecer esperança onde muitos em seus pensamentos se acham inferiores por estarem vivendo um dos momentos difíceis de suas vidas, mas com carinho e amor, vocês levam a paz e o principal, ressuscitam os mais criticados pela nossa sociedade.” Foi a declaração do seu Ronaldo aos novos amigos da SAE, que completou em forma de poema e fé: “No mundo atual são poucos os seres humanos que valorizam o seu próximo. Saiba que cada manifesto de carinho e paz que vocês proporcionam são uma pedra muito valiosa em seus galardões e quem coloca cada pedra preciosa é Deus. Obrigado, Ronaldo Leôncio.”

Nós é que agradecemos, seu Ronaldo. Gratidão e até a próxima oficina!

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