Museu de Curiosidades #12 – A cultura moche e seu ritual de morte

A cultura moche e seu ritual de morte

Na pequena sala de Culturas Pré-Colombianas, parte integrante da exposição de longa duração do Museu Nacional, nos deparamos com inúmeros objetos de retratam o cotidiano e cultura de diversos povos que habitaram nosso continente. Mas será que, diante de tanta informação, conseguimos nos atentar a detalhes sobre todos? Que tal conhecermos um pouco mais sobre a cultura Moche, um povo pouco conhecido por nós e que nos deixou um tesouro arqueológico?!

A Civilização Moche (ou Mochica) floresceu no norte do Peru entre o fim do século I e o século VIII d.C e, até onde se sabe, não construiu um grande Império, mas sim estados independentes.. Tal civilização tinha como base econômica a agricultura irrigada, visto que seu território desértico era atravessado por vários cursos d’água. Sem o domínio da escrita, a civilização moche deixou seus registros por meio do artesanato e cerâmica, que retratavam o cotidiano e ritos como a caça, o culto aos deuses, e seus rituais funerários.

Os moches não acreditavam na morte como um fim, mas sim uma passagem para o pós-vida. Logo, os ritos de passagem tornavam-se grandes demonstrações sobre o homenageado. Caixões ricamente ornamentados com máscaras de metal, joias, artesanatos tornavam-se parte dos funerais de pessoas abastadas, normalmente sepultadas em tumbas retangulares de adobe, com espaços destinados às oferendas. A trombeta era tocada durante os ritos mochicas de sepultamento.

trombeta

 

Os vasos com figuras zoomorfas, isto é, com aspectos animais, retratavam em geral as divindades cultuadas. Entre elas estão as raposas, corujas, gaviões, beija-flores e gatos. Abaixo imagens de objetos que integram a exposição do Museu Nacional.

ave

macaco

Não se sabe ao certo o que levou ao fim do povo mochica, em fins do século VIII. Dão-se por aceitos dois fatores, que, juntos, teriam devastado essa civilização. São esses o fator social, representado pela invasão do povo Wari, de forte caráter bélico, e o natural, representado pelos efeitos do El Niño, que devastou as estruturas de irrigação.

O espaço do museu é repleto de imagens e peças que não só representam práticas culturais como também contam uma história que, ao fim, auxilia a compreensão do “outro”, direta ou indiretamente. Além da cultura moche, inúmeros outros temas acabam passando despercebidos dentro do museu, apenas aguardando para serem estudados e se revelam fascinantes. Até o próximo Museu de Curiosidades!

Texto escrito por: Lucas F. S. de Carvalho, Graduando do Instituto de História da UFRJ e Bolsista PIBEX da SAE/Museu Nacional UFRJ.

Revisão: Ms. Alessandra Seixlack – Professora substituta de História da América da UFRJ e doutoranda do Programa de Pós Graduação em História Social da Cultura da PUC-Rio.

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