Museu de Curiosidades #11 Boneca Karajá: Patrimônio Imaterial do Brasil

Cerâmica Karajá. Foto: Cleomar Nascimento

Cerâmica Karajá. Foto: Cleomar Nascimento

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Bonecas Karajá (Foto: Rafael de Moura)

O povo Karajá, uma das mais conhecidas etnias indígenas do Brasil, ocupava originariamente as regiões localizadas na extensão do rio Araguaia nos estados do Pará, Tocantins, Mato Grosso e Goiás. Atualmente o aldeamento mais importante está localizado na ilha do Bananal no Tocantins. A estimativa total da população Karajá gira entorno de 3.200 pessoas.

Cacique Uataú da tribo carajá na Ilha do Bananal, Goiás.

Cacique Uataú da tribo carajá na Ilha do Bananal, Goiás.

Apesar de ter sofrido com o avanço da colonização ocidental, este grupo é um dos que melhor conseguiu preservar seus costumes ao longo dos anos. Além de serem relativamente conhecidos no resto do país, símbolos importantes como a língua, a pesca e alguns rituais se mantêm nas praticas cotidianas. O principal exemplo desta preservação da cultura Karajá é justamente a boneca de cerâmica feita por eles.

Para além de sua função enquanto ornamento, as bonecas Karajá são uma boa amostra da cultura deste povo, possuindo importantes significados sobre a sua organização social. Além disso, nos dias de hoje, a produção e a comercialização das bonecas têm servido de relevante fonte de renda para boa parte das famílias. Por isso, a boneca Karajá foi recentemente reconhecida como patrimônio imaterial do Brasil.

O reconhecimento da boneca enquanto patrimônio imaterial contribui justamente na preservação do “saber fazer”. A técnica de produção da boneca é utilizada apenas pelos Karajás e é passada de geração a geração. O processo, que tem duração de uma média de uma semana, é controlado e dominado pelas mulheres e acompanhado pelas filhas que vão aprendendo com as mães. A técnica consiste basicamente na coleta da argila, preparo da massa, modelagem, secagem e pintura.

As faixas etárias dos Karajás são definidas e representadas por símbolos estéticos representados pelas pinturas corporais e formatos de cabelo. Este código também se apresenta nas bonecas. Dessa forma, são produzidos conjuntos de bonecas que ilustram as distintas composições familiares presentes na etnia Karajá. Também é possível encontrar referencias à fauna da região e à mitologia dos Karajás.

karaja 2A preservação deste patrimônio, passado de geração em geração, passa por constantes ressignificações que dialogam com as alterações no ambiente e nas interações sociais. Um exemplo deste processo é o fato de que hoje é possível distinguir dois tipos distintos de boneca, a Hўkўnaritxoko (boneca antiga) e a Ritxoko (boneca moderna). Enquanto a Hўkўnaritxoko representa a boneca tradicional feita para os próprios Karajás, a Ritxoko esta voltada para a comercialização e, dessa forma, atente a objetivos mais decorativos.

Além disso, esta preservação do patrimônio contribuiu para que se avance na difusão do conhecimento sobre os povos indígenas do Brasil e na construção de uma memória que não relegue a estes povos um espaço marginal. Na exposição de Etnologia Indígena do Museu Nacional é possível conhecer um pouco mais sobre estas culturas.

Texto escrito por: Afonso Henrique de M. Fernandes, Graduando do Instituto de História da UFRJ e Bolsista PIBEX da SAE/Museu Nacional UFRJ.

Revisão: Crenivaldo Regis Veloso Junior, Historiador da Seção de Etnologia do Museu Nacional.

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