Museu de Curiosidades #5 – Maxakalisaurus topai

Uma das maravilhas de entrar no Museu Nacional consiste na possibilidade de se deparar com gigantes da pré-história, sejam eles os incríveis predadores e seus enormes dentes afiados ou os simpáticos herbívoros pescoçudos de cauda longa. O protagonista do Museu de Curiosidades #5 é um desses gigantes, o Maxakalisaurus topai, que foi o primeiro dinossauro de grande porte brasileiro montado para exposição no país. A réplica da ossada desse titanossauro, que media aproximadamente 13 metros de comprimento e pesava cerca de nove toneladas, se encontra desde 2006 no Museu Nacional junto com alguns de seus fósseis de 80 milhões de anos, encontrados no município de Prata (MG). Seu nome foi dado em homenagem à tribo indígena dos Maxakali dessa região, e a Topa, uma de suas divindades.

Maxakalisaurus topai

Réplica do esqueleto do Maxakalisaurus topai em exposição no Museu Nacional/UFRJ

O Maxakalissaurus topai faz parte da família dos titanossauros que tem como particularidade o formato do encaixe das vértebras caudais. Eles pertencem a infra-ordem dos saurópodes, que eram dinossauros com corpos enormes, cauda e pescoço bem longos, que terminavam em uma pequena cabeça comparada com todo seu tamanho – é o próprio estereótipo quando se trata de um dinossauro. Esses enormes herbívoros variavam, de um modo geral, entre seis e vinte metros de comprimento, embora tenha sido encontrado no Novo México (EUA) um saurópode que media aproximadamente 52 metros de comprimento e pesava entre 40 e 50 toneladas, o Seismosaurus halli, um verdadeiro gigante.

Os saurópodes, apesar de todo seu tamanho, tiveram origem no período Triássico, a partir de pequenos prossaurópodes com menos de 2 metros. Quando surgiram os primeiros saurópodes, no final desse mesmo período, eles já eram grandes dinossauros, porém não era esperado que atingissem tamanhos colossais. A proteção contra dinossauros predadores e um melhor alcance de plantas em árvores mais altas podem ter motivado esse crescimento, além de um aumento de eficiência energética (um animal mais maciço perde energia mais lentamente) e uma facilidade de digestão de plantas pouco nutritivas. Com o aumento de seu tamanho, esses répteis desenvolveram um eficiente sistema respiratório, com recurso a algumas vértebras pneumáticas, isto é, com estrutura que permite tanto o desenvolvimento de sacos aéreos que ajudam na respiração, como também na diminuição do peso dos ossos.

Maxakalisaurus esqueleto parcial

Ossos restantes do Maxakalisaurus topai (Ilustração: Maurílio Oliveira)

O fóssil do Maxakalisaurus topai foi encontrado durante a construção de uma estrada na região e pesava cerca de 6 toneladas. Grande parte desse esqueleto parcial, que foi encontrado com muitos de seus elementos quebrados, consiste em vértebras cervicais e dorsais, contendo também costelas que foram encontradas parcialmente articuladas. Para extraí-lo da terra foram necessários quatro anos de trabalho: de 1998 a 2002.

Vértebra Cervical

Vértebra cervical (possivelmente a sétima). Vista da lateral esquerda. Barra de escala: 100mm

Vértebra Dorsal

Vértebra dorsal. Vista posterior. Barra de escala: 100mm

O profissional que é responsável por estudar esses ossos fossilizados é o paleontólogo, um cientista que a partir das evidências fornecidas pelos fósseis conhece um pouco mais sobre a vida na pré-história. Logo, a paleontologia (do grego “Palaios = antigo; ontos = ser; logos = estudo”), é a ciência que estuda o vasto registro fóssil da vida pré-histórica, é o estudo da vida antiga. Outro importante profissional que está diretamente relacionado com a réplica do titanossauro do Museu Nacional, é o paleoartista, artistas que dão vida a dinossauros como o Maxakalisaurus topai e a outros seres pré-históricos criando as reconstituições em vida desses animais que tanto encantam os olhos dos visitantes em museus. É através da paleoarte que podemos saber como eram alguns desses seres e o ambiente em que viveram. E é esse trabalho conjunto, dentro de museus de todo mundo, que acaba se transformando em uma importante forma de difusão das descobertas paleontológicas.

maxakalisaurus topai

Reconstituição da vida do Maxakalisaurus topai (Ilustração: Orlando Grillo)

Yan Gomes Silveira – Graduando em Licenciatura em Filosofia (UFRJ), Bolsista PIBEX – Museu Nacional (UFRJ)

Revisão:

Elaine Batista Machado – Mestre em Ciências Biológicas (Zoologia), UFRJ, e Doutoranda em Ciências Biológicas (Zoologia) – UFRJ

Fontes consultadas:

KELLNER, Alexander W. A. et al. On a New Titanosaur Sauropod from the Bauru Group Late Cretaceous of Brazil. Boletim do Museu Nacional. Rio de Janeiro, 2006.

http://www.museunacional.ufrj.br/exposicoes/paleontologia/titanossauro-replica

http://vestibular.uol.com.br/atualidades/ult1685u258.jhtm

http://vidaterra.wordpress.com/2011/07/21/o-que-eram-os-sauropodes/

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