Que Bicho Que Deu!? #2 – Cavalo Marinho

Cavalo Marinho e “Os machos grávidos”

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Cavalo marinho da Coleção Didática de Empréstimo da SAE.

Antes de tudo, é importante saber: o cavalo marinho é um peixe e não um mamífero.  O nome vem do formato externo de seu corpo, semelhante ao de um cavalo. Esse peixe, ameaçado de extinção no Brasil, possui hábitos bem curiosos. Fisicamente ele apresenta características parecidas com as dos camaleões, como a de mudar de cor para se camuflar e se esconder, além de ter a capacidade de mexer cada um dos olhos de maneira independente. Ou seja, o cavalo marinho tem a incrível capacidade de olhar para dois lugares ao mesmo tempo – uma excelente tática de sobrevivência! Outros aspectos curiosos desse animal se referem ao fato de os mesmos nadarem com o corpo na posição vertical e de conseguirem movimentar rapidamente as nadadeiras. Para se alimentar, o cavalo marinho prende-se com a ponta da cauda em algas, gramas, esponjas e corais no fundo do mar, onde aguarda pacientemente o alimento passar perto de sua boca, para então capturá-lo. Geralmente permanece camuflado, facilitando a aproximação despercebida de pequenos crustáceos e peixes (larvas) que farão parte de sua dieta, ao mesmo tempo em que diminui as chances de ser ele próprio predado.

O ritual de acasalamento dos cavalos marinhos, que acontece durante a primavera, é bem curioso, pois os machos dão cambalhotas junto com as fêmeas. Nesse processo, a fêmea coloca dezenas de ovos em uma bolsa especial no abdômen do macho, que nesse momento os fertiliza, e posteriormente os guarda até o nascimento. Com isso, ele é responsável por cuidar dos “filhotes” durante toda a “gestação”, que dependendo da temperatura do ambiente, pode variar bastante, indo de 9 a 69 dias. No interior dessa bolsa a concentração de sais dissolvidos é menor do que a da água do mar, e mais próxima à do sangue, no início da incubação, tornando-se cada vez mais próxima da água do mar à medida que os embriões se desenvolvem. Assim, o cavalo marinho macho gera um ambiente adequado ao desenvolvimento de seus filhotes, até que os mesmos saiam nadando independentes.

Assista a um breve vídeo que registra o nascimento de cavalos marinhos!

Milhares de cavalos marinhos são capturados e vendidos secos em feiras livres de diversas regiões do mundo, incluindo o Brasil. Esta prática, com fins religiosos e medicinais, tem levado a uma diminuição das populações naturais destes animais e ameaçado a sobrevivência de diferentes espécies. Além disso, a degradação dos ambientes onde os cavalos marinhos vivem, como baías, manguezais e recifes de corais e rochosos, contribui fortemente para a atual categorização oficial como espécie ameaçada de extinção. Você sabia que na entrada da Baía de Guanabara – RJ, mais precisamente na Praia Vermelha e na Urca, ainda há cavalos marinhos? Imagine se este ambiente estivesse livre da poluição?!

Urca praia vermelha

Praia Vermelha, bairro da Urca, Rio de Janeiro.

Kleber Villaça Pedroso (Aluno de Licenciatura em Ciências Biológicas UFRJ e Bolsista PIBIAC)

Rafael Nascimento de Carvalho (Aluno de Licenciatura em Ciências Biológicas-UFRJ e Bolsista PIBEX)

Revisto por: Fernando Coreixas de Moraes – Doutor em Biologia – Pesquisador Visitante do Departamento de Geologia e Paleontologia  – DGP/Museu Nacional

Fontes:

Linton, J.R. & Soloff, B.L., 1964. The physiology of the brood pouch of the male sea horse Hippocampus erectus. Bulletin of Marine Science of the Gulf and Caribbean 14(1): 45-61.

http://www.mundodastribos.com/curiosidades-sobre-o-cavalo-marinho.html

http://cienciahoje.uol.com.br/colunas/por-dentro-das-celulas/os-segredos-do-cavalo-marinho

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