Museu de Curiosidades #3 – Megafauna

Megafauna: a exuberante fauna brasileira da Era do Gelo

O termo Megafauna é utilizado para se referir à diversidade de mamíferos gigantes que viveram no Pleistoceno (1,6 milhões de anos a 11.000 anos) e que atualmente encontram-se praticamente extintos. A ocorrência de grandes variações climáticas, com momentos extremamente frios ocorridos nos dois Hemisférios é uma característica importante desta época e fez com que o Pleistoceno ficasse conhecido como a Era do Gelo. O auge da mais recente dita Era do Gelo foi há 20 mil anos e terminou há 11 mil anos, marcando o início do Holoceno, período no qual vivemos.

Os grandes animais que viveram nessa época se desenvolveram a partir de mamíferos ancestrais, beneficiados pela extinção dos dinossauros. Com as varias glaciações ocorridas no Pleistoceno, favorecendo a ocorrência de um clima mais seco, locais como a região amazônica passaram a ser constituídos por savanas e cerrados. Esta configuração de clima e vegetação era o habitat ideal da megafauna. Há registros de achados fósseis para diversos estados brasileiros, tais como Ceará, Paraíba, Sergipe, Bahia, Brasília e Mato Grosso do Sul. Dentes-de-Sabre, Toxodontes e Preguiças Gigantes são exemplos de mamíferos extintos que constituíram a megafauna do Brasil, compartilhando assim do mesmo hábitat e disputando espaço, alimento e água.

Preguiça Gigante e Dentes-de-Sabre (Ilustração: Maurílio Oliveira)

Preguiça Gigante e Dentes-de-Sabre (Ilustração: Maurílio Oliveira)

O Smilodon populator, conhecido como o tigre dentes-de-sabre, representa a maior espécie de felino sul-americanao. De hábito alimentar carnívoro, seus representantes possuíam dentes caninos superiores bastante arqueados, achatados, de bordas afiadas e serrilhadas, podendo chegar até 30 cm de comprimento. Uma articulação especial da mandíbula permitia que se formasse um ângulo de até 95º de abertura bucal, podendo a mesma ficar perpendicular ao crânio. Podiam alcançar até 3 m de comprimento e pesar cerca de 300 kg, sendo maiores e mais robustos do que uma onça ou um leão adulto. Os primeiros achados da espécie no Brasil foram realizados em 1839, em Lagoa Santa, Minas Gerais, por pelo naturalista dinamarquês Peter Lund (1801-1880).

Na exposição do Museu Nacional encontram-se dois esqueletos de espécies distintas de Preguiças Gigantes. O maior deles é composto por material ósseo descoberto próximo à cidade de Jacobina, no estado da Bahia, Brasil. A montagem deste exemplar foi realizada no inicio do século XX quando se acreditava existirem no território brasileiro preguiças gigantes apenas da espécie Megatherium americanum.

Em 1954, o Prof. Carlos de Paula Couto identificou os ossos fósseis originais deste esqueleto como pertencentes ao gênero Eremotherium laurillardi. Por este motivo, o exemplar em exposição é considerado um esqueleto compósito com material original de vários indivíduos atribuídos ao gênero Eremotherium e material replicado atribuído ao gênero Megatherium.

A espécie Eremotherium, ocorre em quase todos os estados brasileiros, inclusive no Rio de Janeiro, na bacia de São José do Itaboraí. Herbívoras, podiam atingir cerca de 4m de altura, enquanto se alimentavam de folhas de árvores. As gramíneas também faziam parte de sua dieta alimentar. Estima-se que um animal dessa espécie pudesse pesar cerca de 5 toneladas (o peso de um caminhão) e medir aproximadamente 6m, do focinho até a cauda.

O outro esqueleto de Preguiça Gigante que pode ser visto no Museu Nacional é de um exemplar da espécie Glossotherium robustum, que no caso brasileiro ocorre somente no estado do Rio Grande do Sul. Nos estados de Mato Grosso, Bahia e Minas Gerias, na região intertropical do país, os registros são atribuídos à espécie Glossotherium aff Glossotherium lettsomi. O gênero Glossotherium ocorre também na Argentina, Uruguai, Chile, Paraguai, Bolívia, Equador e Estados Unidos. Os indivíduos deste grupo eram terrestres, alcançavam cerca de 3m de comprimento e seu peso variava em torno de 1,5 tonelada. Possuíam dentes que permitiam mastigar vegetais duros e ásperos, sendo assim herbívoros.

Esqueletos de duas Preguiças Gigantes e de um Dentes-de-Sabre, que podem ser vistos na exposição do Museu Nacional.

Esqueletos de duas Preguiças Gigantes e de um Dentes-de-Sabre que podem ser vistos na exposição do Museu Nacional.

Outros exemplares da megafauna sul-americana são o Mastodonte e o Toxodonte. Os primeiros são muito conhecidos por representarem uma espécie de ancestral dos atuais elefantes, apresentando semelhanças, inclusive, no seu tamanho. Os Mastodontes, contemporâneos dos famosos mamutes nórdicos da Era do Gelo, eram herbívoros, se alimentavam de brotos, folhas e capim . Já os Toxodontes tinham como sua principal característica o fato de possuírem um comportamento semi-anfíbio, pois se alimentavam principalmente de vegetais aquáticos e gramíneas que cresciam nas margens e fundos de lagoas e rios. Esses animais podiam alcançar, em média, 2,5 m de comprimento e pesar até 1 tonelada.

Um grupo de Toxodontes (Ilustração: Maurílio Oliveira)

Um grupo de Toxodontes (Ilustração: Maurílio Oliveira)

No final do Pleistoceno e inicio do Holoceno, época compreendida entre 11.000 anos atrás até os dias de hoje, se registrou um aumento da temperatura, o que coincide com período de extinção das espécies da megafauna. A explicação que hoje é mais aceita para a extinção destes animais foi à combinação das diversas consequências geradas pelo aquecimento do clima. Além disso, outra possível causa da extinção, foi a caça promovida pelos humanos (principalmente no hemisfério norte), já que os registros mais antigos da chegada do homem à todos os continentes coincide com a extinção da Megafauna.

Humanos preparados para a caça (Ilustração: Maurílio Oliveira)

Humanos preparados para a caça (Ilustração: Maurílio Oliveira)

Nos dias atuais, o continente africano é o único lugar onde podemos encontrar remanescentes da Megafauna. Dentre eles podemos citar: o elefante africano, a girafa, bem como o leão, o maior felino do planeta.

Afonso Henrique Menezes Fernandes – Graduando em História (UFRJ), Bolsista PIBEX – Museu Nacional (UFRJ)

Agradecimento:

Revisão do Texto – Lilian Alves da Cruz (Departamento de Geologia e
Paleontologia do Museu Nacional – UFRJ)

Ilustrações – Maurílio Oliveira (Paleoartista; Museu Nacional – UFRJ)

Fontes consultadas:

http://www.avph.com.br/pleistoceno.htm

http://www.bibliotecadafloresta.ac.gov.br/biblioteca/docs_expo/Megafauna.pdf

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